O que a torcida do Santos pode esperar de Diniz?

Minutos antes da derrota por 3 a 2 no clássico contra o Palmeiras, o Santos acertou a contratação do técnico Fernando Diniz para substituir o argentino Ariel Holan, que pediu demissão do clube há quase duas semanas.

Pontos positivos

 

Quando se fala em Fernando Diniz é quase impossível não citar seu sistema de jogo com posse de bola e troca de passes constantes. Para isso ser aplicado, porém, é necessário tempo e muito trabalho.

Quando foi contratado pelo São Paulo, em setembro de 2019, Diniz não teve esse tempo para colocar em prática seu estilo. Por isso, ele abriu mão por um momento de algumas ideias e montou uma equipe mais defensiva e pragmática para conseguir a classificação para a Libertadores.

Em 2020, no entanto, o treinador pôde desempenhar suas ideias e os relatos de quem trabalhou com ele é de que a repetição de jogadas nos treinamentos é uma regra em cada atividade. Diniz cobra muito a perfeição no treino para que seja executado exatamente igual no jogo.

Fernando Diniz costuma ser enérgico nos treinamentos — Foto: Reprodução/Twitter

Fernando Diniz costuma ser enérgico nos treinamentos — Foto: Reprodução/Twitter

O método faz com que os jogadores avaliem Fernando Diniz como um técnico que faz todos darem o seu melhor e que consegue elevar o desempenho técnico de cada um.

Outro ponto a se destacar é o fator extracampo. Diniz não se preocupa apenas com os jogadores dentro das quatro linhas. O treinador gosta de tratar cada atleta de uma forma humana, tentando entender as origens e a situação de cada um. É frequente ver Daniel Alves, que já foi treinado por Guardiola e outros vários técnicos renomados, rasgar elogios ao ex-comandante.

Psicólogo de formação, Fernando Diniz gosta das conversas particulares com os jogadores e raramente desiste de um atleta. O técnico gosta de resgatar as qualidades do elenco. No São Paulo, Brenner foi o melhor exemplo. De encostado, se tornou artilheiro e foi negociado por valores milionários.

No rival, Diniz não teve costume de pedir reforços publicamente e utilizava o discurso da possibilidade de achar peças no elenco. O Santos, porém, tem o desejo de contratar jogadores depois da liberação da punição na Fifa, mas não deve fazer grandes investimentos e deve optar por chegadas por empréstimo.

Pontos negativos

 

Um dos pontos que minou o último trabalho de Fernando Diniz foi a insistência em uma só esquema de jogo e nos mesmos titulares. Independentemente da situação, o treinador fazia sempre as mesmas substituições que pouco mudavam o jogo.

Quando está perdendo, Diniz costuma entrar em um “modo desespero”. Tira um zagueiro, coloca um atacante ou o meia e vai para o tudo ou nada. Em determinadas ocasiões dava certo, mas isso passou a incomodar a torcida, que não poupou nas críticas.

O estilo enérgico também é algo que pode ser bom, mas também pode ser ruim. Fernando Diniz não poupa na agitação à beira do campo e nas cobranças aos jogadores.

Quando a imprensa era liberada para acompanhar atividades no CT, antes da pandemia, o treinador só deixava que apenas o aquecimento fosse observado. O treino com bola, por sua vez, era proibido por dois motivos: esconder as jogadas (habitual atualmente) e evitar os flagras dos seus xingamentos.

Um desses xingamentos mais ríspidos foram vistos com Tchê Tchê no São Paulo. Em uma partida contra o Red Bull Bragantino, no Brasileirão de 2020, o treinador chamou o jogador de “ingrato” e “mascarado”. Muitos consideram que ali foi o início do fim do técnico no comando.

Diniz assumirá o Santos em um momento delicado, com jogos importantíssimos pela frente. O primeiro deles é neste domingo, contra o São Bento, na Vila Belmiro. O Peixe está ameaçado de rebaixamento no estadual e precisa de um empate para se manter na primeira divisão.

Depois, na terça-feira, o Santos recebe o Boca Juniors, também na Vila, pela quarta rodada da fase de grupos da Libertadores. Se vencer, o Peixe ultrapassa os argentinos e assume a vice-liderança do grupo C.

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