Nacional já foi carrasco e motivou piada para o Inter se reerguer

Nacional e Internacional se enfrentam, às 19h15 desta quarta-feira (24), no primeiro dos dois jogos válidos pelas oitavas de final da Libertadores da América. É um duelo que tem muita história, especialmente sob o ponto de vista dos gaúchos, que chegam confiantes para conseguirem um bom resultado em Montevidéu.

Trauma por final perdida

A importância no duelo esteve presente logo no primeiro encontro oficial entre os quase xarás: foi justamente na final da Libertadores de 1980, um jogo cercado de traumas para os Colorados. A equipe treinada por Ênio Andrade chegava para a disputa depois do título invicto de Brasileirão, conquistado no ano anterior, e já chegou para a decisão ciente de que haveria ao menos uma perda: Falcão, justamente o craque do time, já estava com passagem comprada para Roma, clube que defenderia nos anos seguintes.

Entretanto, depois de um empate sem gols em Porto Alegre, o Nacional venceu o segundo jogo por 1 a 0 e ficou com o título. Em uma época com muito menos vagas por países, o Inter voltou a disputar o torneio quase dez anos depois, em 1989. No meio-tempo, viu o arquirrival Grêmio conquistar a Libertadores em 1983 e repetir o feito em 1995.

Chacota com apelido

A falta de títulos internacionais, na comparação com o rival tricolor de Porto Alegre, motivou uma piada que tirava do sério os colorados. Como forma de provocação, os gremistas diziam que o Internacional deveria mudar de nome, adotando justamente o do algoz daquela decisão de 1980. Motivo? Ora, se os colorados não tinham títulos internacionais até então, deveriam ser chamados apenas de “Nacional”.

Exorcizando fantasmas

Mas o Internacional iria à forra anos depois. Em 2006, pela primeira vez a equipe rubra voltaria a enfrentar oficialmente o Nacional. E aquele time treinado por Abel Braga não levou a pior em nenhuma das quatro vezes em que os dois lados se enfrentaram: na fase de grupos, vitória por 3 a 0 no Beira-Rio e empate sem gols em Montevidéu; nas oitavas de final, triunfo por 2 a 1 em terras orientais, com direito a um lance que demonstrou toda a tensão do duelo.

O lance em questão envolve o atacante Luis Suárez, hoje consagrado no Barcelona. O atacante, marcado pelas mordidas que deu em alguns adversários, naquela oportunidade foi vítima: aos 19 anos, entrou em campo, mas foi pisoteado por Ediglê, que entre sair do banco de reservas, já no final daquela partida, e descer para o chuveiro após receber o cartão vermelho, durou apenas dois minutos! No jogo de volta, os gaúchos seguraram o empate sem gols e avançaram, sem parar, até conquistarem o título – acabando, também, com as piadas do rival que envolviam seu próprio nome.

O troco

O problema é que, no ano seguinte, os colorados ainda pareciam estar na ressaca das conquistas de Libertadores e Mundial. Não passaram da fase de grupos – era a primeira vez que um time que defendia o título caía ainda na fase de grupos – e dentre as derrotas, o revés por 3 a 1 fora de casa também pesou para a marca negativa, ainda que no duelo anterior o Inter tivesse vencido.

Pé de Coelho

Sóbis, em 2006… (Foto: Getty Images)

Sóbis, em 2019 (Foto: Ricardo Duarte/Internacional)

Para o confronto desta quarta-feira (24), contudo, o Inter também conta com um amuleto: o atacante Rafael Sóbis, presente na campanha de 2006 mas que, em 2007, estava fora do país. Em entrevista coletiva, ele reconheceu o fator sorte, afinal de contas se o futebol é decidido nos detalhes, é preciso brigar arduamente para que todos eles estejam a seu favor.

“Quando a coisa é pro bem tem que se agarrar. (Nacional) É um grande rival, tem muita qualidade no nosso território sul-americano. Vai ser duro, vai ser complicado. Vamos fazer de tudo pra passar, disse.

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