Com Lucas Moura, Tottenham quer provar ao City que não é ‘Harry Kane FC’

Em outubro de 2017, Guardiola disse que o Tottenham era o “Harry Kane Team” e a declaração não foi nada bem aceita por Mauricio Pochettino. Antes do primeiro encontro entre os clubes nas quartas de final da Champions League, semana passada, o catalão voltou a fazer um mea-culpa em relação a sua frase e disse ter sido mal interpretado. Dentro do novo estádio do Tottenham, Heung-Min Son garantiu o 1 a 0 que dá a pequena vantagem aos Spurs para o duelo decisivo desta quarta-feira (17), em Manchester.

Um duelo no qual o Tottenham não terá Harry Kane, que sentiu o tornozelo no início do segundo tempo daquele jogo de ida e está praticamente fora do restante da temporada. Um prejuízo insubstituível para um clube que, ao contrário do Manchester City, não começou a temporada reforçando o que já era bom. Se os Citizens gastaram cerca de € 67 milhões para a chegada de Mahrez, os londrinos ficaram felizes em ver seus grandes nomes permanecerem. Kane, evidentemente, era o maior deles – ninguém foi contratado.

Afinal de contas, camisa 10 é o grande artilheiro inglês. Líder na seleção de seu país e considerado hoje uma das maiores referências mundiais em sua posição. Apenas na atual temporada, foram 24 gols marcados em todas as competições pelo Tottenham – números que o colocam no Top 10 da artilharia na Europa, à frente de nomes como Luís Suárez e Mohamed Salah. A sua importância para o time está além de qualquer dúvida, por isso Pep, já em 2017, colocou tanta importância na presença de Kane.

Dele Alli, meia-atacante, é dúvida para esta quarta-feira (17) por causa de uma lesão na mão. É na eventualidade de sua ausência que Lucas Moura ganha força como opção para Pochettino. Em sua segunda temporada no Tottenham, o brasileiro já apresenta números melhores ao ano passado: foram 12 gols e uma assistência espalhados por 40 partidas contando os torneios disputados pelos londrinos. Apesar de não ser titular absoluto nos Spurs, em meio às muitas mudanças que Pochettino gosta de fazer especialmente em suas escalações, o brasileiro ocupa a terceira posição na artilharia geral do clube em 2018-19.

E pensando em uma equipe que precisará ao máximo pressionar a saída de bola dos Citizens e, também, ficar ligada nos contra-ataques, Lucas ganha ainda mais força como opção a ser tomada por dois motivos especiais: o momento e a capacidade de desempenhar várias funções do meio para a frente. No último fim de semana, o brasileiro fez três gols na goleada por 4 a 1 sobre o Huddersfield Town, pela Premier League, resultado que manteve os Spurs fortes em busca de se garantirem na próxima edição da Champions. E ao longo da atual temporada já foi decisivo atuando em várias posições do ataque contra grandes equipes.

Lucas Moura fez gols sobre Barcelona, Liverpool, PSV e teve uma noite inesquecível contra o Manchester United – com dois gols marcados dentro de Old Trafford. Movimentando-se bastante do meio até o terço final de campo, às vezes até mesmo fazendo dupla de ataque com Harry Kane, demonstrou ter uma das melhores finalizações no elenco. De acordo com as estatísticas da Opta Sports, a sua taxa de conversão em gol a cada finalização é de 23%, a detalhes dos 23,76 de Harry Kane.

Caso seja escalado por Mauricio Pochettino para o duelo definitivo contra o Manchester City, o jovem revelado pelo São Paulo e com passagem pelo PSG terá a sua maior chance de mostrar que pode brilhar no mais alto nível europeu: é rápido, habilidoso e sabe finalizar, características que serão indispensáveis para os Spurs garantirem ao menos um empate para avançar às semifinais europeias e provar, mais uma vez, para Guardiola: o Tottenham pode ser além de um ‘Harry Kane Team’.

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