Com o acesso garantido e mirando o título: o que o América precisa fazer para evitar os erros de 2016 e aprimorar acertos de 2017

O primeiro passo já foi concluído com méritos: o acesso à elite nacional um ano depois de ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. Buscar o título da Série B se torna o próximo objetivo do América para terminar o ano com o prestígio em alta. Mas o clube começa a traçar o planejamento para a próxima temporada, em que novamente enfrentará os grandes do futebol nacional, com orçamentos superiores e times mais qualificados. Para não repetir o fiasco de 2016, o Coelho aposta em novas estratégias para ter vida longa na Primeira Divisão e superar o desafio de ficar o mais longe possível da zona de rebaixamento, algo frequente na última edição da Série A de que participou.

O caminho ainda é longo para que o clube resgate o passado vencedor dos anos 1970, em que ficou nove anos na elite nacional e obteve sua melhor campanha até hoje – um sétimo lugar em 1973. Em 2000 e 2001, a equipe ficou dois anos seguidos na Série A, beneficiada pelo fato de não existir rebaixamento na Copa João Havelange, vencida pelo Vasco em 2000. Agora, o objetivo da diretoria é conquistar etapas gradualmente, fortalecendo o clube nos bastidores para lutar por metas cada vez mais ambiciosas.

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Desde que a equipe caiu para a Segundona, no ano passado, os dirigentes alviverdes reviram a série de erros que culminou num poço sem fundo. Várias trocas de treinadores, vinda de jogadores em excesso e baixo público em casa estão entre os equívocos do clube na edição passada. Em seu último ano na elite, o América apostou em três técnicos diferentes – começou com Givanildo Oliveira, depois contratou o português Sérgio Vieira e terminou com Enderson Moreira – e contratou reforços caros e sem render o esperado, como o colombiano Loboa, o zagueiro Cardoso e os atacantes Danilo Dias e Nixon. O resultado foi o mais desastroso possível: com o planejamento interrompido, vários dos atletas não tiveram tempo para se firmar e deixaram a equipe. Outra falha, na análise da diretoria, foi a contratação do diretor de futebol Sidcley Menezes, que chegou no decorrer da temporada, mas não se adaptou.

Agora, a promessa é de atitudes distintas. O Coelho tentará se mirar nos exemplos positivos da Chapecoense e da Ponte Preta, que, mesmo com orçamento enxuto, têm se mantido na Série A. “Não podemos iludir o torcedor. Vai ser sofrido permanecer na elite, mas a expectativa é boa, porque ganhamos maturidade e procuramos organizar o clube da melhor forma, com reestruturação do futebol. A prova de que evoluímos é a nossa presença na Série A pelo segundo ano consecutivo. O América hoje tem mais participações na elite e ganhou respeito no país. E nossa torcida voltou a ir ao estádio, acabando com a condição de o Independência ser praticamente um campo neutro”, afirma Marcus Salum, que voltará a fazer parte do conselho administrativo do clube a partir do ano que vem.

Um dos pilares para a manutenção na Série A será a renovação com o técnico Enderson Moreira, bem cotado no mercado e sondado por outras equipes da Primeira Divisão. Mas os dirigentes vão aguardar o desfecho da Série B para dar sequência às conversas com o treinador e sua equipe de trabalho. O clube também pretende manter 50% dos atletas que disputaram a competição.

ORÇAMENTO O caixa será reforçado. De acordo com o presidente Alencar da Silveira Júnior, o orçamento para 2018 deve ultrapassar os R$ 40 milhões, quantia bem superior aos R$ 18 milhões usados em 2016, quando estava na elite. O dirigente afirma que trabalhou fora das quatro linhas para deixar a equipe mais forte agora: “O América atual foi planejado no passado. Em 2016, ainda não tínhamos experiência para disputar um torneio com a dificuldade da Série A. Além disso, pagamos um montante de dívidas trabalhistas e profissionalizamos o clube, o que limitou os recursos para o futebol. Se tivermos criatividade, vamos ter condições de disputar a Série A tranquilamente. Estamos prontos para que a próxima gestão dê continuidade”.

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Artilheiro do time alviverde na Série B, com nove gols, o atacante Bill defende a manutenção da base atual para disputar a elite nacional. O camisa 9 é um dos atletas que devem ter o contrato renovado por mais uma temporada: “É preciso segurar a maioria do grupo. Quando se tem uma base forte, fica mais fácil. Sabemos que virão outros jogadores para ajudar. Isso é fato. Para continuar na Série A tem que ter um grupo forte. E o América saberá fazer isso bem”.

Jogador mais experiente no grupo que caiu para a Série B em 2016, Leandro Guerreiro concorda com Bill. “Passa ano, entra ano, mudavam-se todos os jogadores. No ano que eu disputei a Série A, foram mantidos apenas João Ricardo e eu, e somente eu tinha experiência de Série A. Falaram que a base seria mantida, mas isso não foi feito.”

Além disso, ele acha que é preciso reforçar o time. “É necessário contratar cinco ou seis com perfil da competição, que conheçam a disputa. Não adianta trazer 20 ou 25 jogadores medianos que não adianta. A gente jogava contra Corinthians, São Paulo, Grêmio, Cruzeiro, Atlético… O próprio tratamento do árbitro com a gente era diferente e, se você não tem jogador com mais bagagem, eles te atropelam. O barato sai caro, porque o time vai descer. A diretoria tem de analisar, estudar as contratações. É necessário arriscar”, afirma.

PELO TÍTULO Se vencer o Londrina neste sábado, no Estádio do Café, o América será campeão da Série B com uma rodada de antecipação. Mas o título não representa muito em termos financeiros para o clube. Para o vencedor da competição, a CBF prevê apenas troféu e medalhas para a equipe, algo diferente do que ocorre na Série A, em que o primeiro e segundo lugares recebem R$ 18 milhões e R$ 11 milhões, respectivamente. Como campeão da Série B, o América tem chance de entrar diretamente nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2018. Para que isso ocorra, o clube tem de secar o Grêmio, que joga a decisão da Libertadores contra o Lanús, ou o Flamengo, que segue vivo na luta pela Copa Sul-Americana.

Cinco pilares para se manter na Primeirona

Conservação da base que conquistou o acesso
Manter parte do grupo é o primeiro passo para o sucesso no ano que vem. Assim, evita que o time comece 2018 tendo de buscar uma equipe titular no período em que os rivais já contam com uma base pronta e contrate vários jogadores ao longo do ano.

Organização do departamento de futebol
Desde o ano passado, o Coelho tem se preocupado em formar uma equipe fixa de trabalho, com pessoas capacitadas na diretoria para cuidar do futebol, das finanças e da captação de recursos. Com o departamento em sintonia, as chances de êxito são maiores nas escolhas no perfil de reforços e nos gastos.

Ampliação do CT Lanna Drumond
O clube já tem garantidos os recursos para unificar os treinos das categorias de base e do time profissional no CT Lanna Drumond. O América tende a investir para a construção de um hotel e melhorias no departamento médico e de fisioterapia.

Reforço no caixa e apoio da torcida
Por mais que os recursos sejam inferiores aos de outras equipes, obter mais dinheiro para trazer jogadores experientes pode ser uma alternativa. E o Coelho deve dobrar o seu orçamento em relação a 2017, com o aumento da cota de TV. Em relação à bilheteria, em 2016 a média de pagantes foi inferior a 1 mil torcedores por jogo. Por isso, o Coelho está reforçando seu programa de sócio-torcedor para melhorar a média no ano que vem.

Manutenção do comando técnico
Trocar de comissão técnica a cada sequência de derrotas não é uma solução viável. Será necessário dar uma continuidade ao trabalho para que ele surta efeitos e evite o fracasso de um ano atrás, em que a equipe teve três técnicos diferentes na Série A.

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