Thiago Neves x Cruzeiro: valores milionários e detalhes da briga na Justiça

Bicampeão da Copa do Brasil (2017 e 2018) e bicampeão mineiro (2018 e 2019), Thiago Neves vai deixar o Cruzeiro marcado pelas polêmicas dentro e fora de campo que culminaram com o rebaixamento do time à Série B do Campeonato Brasileiro. A briga com o clube foi parar na Justiça. O jogador cobra vencimentos não pagos e pleiteia a rescisão contratual, pedido que foi negado em caráter liminar pelo desembargador Antônio Neves de Freitas. O debateesportivo  teve acesso ao processo e detalha o que estava acordado entre as partes.

Thiago Neves assinou com o Cruzeiro em 5 de janeiro de 2017, ainda na gestão do presidente Gilvan de Pinho Tavares. O contrato, firmado até 31 de dezembro de 2019, previa salários de R$ 500 mil, sendo R$ 300 mil de vencimentos em carteira e R$ 200 mil em direitos de imagem.

No dia 14 de fevereiro de 2018, já na administração Wagner Pires de Sá, clube e jogador firmaram o primeiro aditivo contratual, aumentando o salário de Thiago Neves para R$ 689 mil, sendo R$ R$ 395 mil como salário em carteira e R$ 294 mil referentes a direitos de imagem.

Em 3 de janeiro de 2019, as partes assinaram um novo reajuste salarial no segundo aditivo contratual. O vencimento em carteira do meia subiu para R$ 480 mil de salário base, mais R$ R$ 320 mil de direito de imagem, totalizando R$ 800 mil em remuneração. Assim, o jogador prorrogou seu contrato com o clube até 31 de dezembro de 2020.

Em ação ingressada em 18 de dezembro, o advogado do jogador alegou que desde junho o clube não paga os vencimentos em dia, além de não recolher o Fundo de Garantia e o INSS desde maio. Somando-se salários em atraso, férias, 13º, multa e outras verbas rescisórias, o jogador pede exatos R$ 16.461.320,06 ao clube na Justiça.

Direito de trabalhar

Thiago Neves, de 34 anos, pede a rescisão contratual para que possa buscar uma nova equipe. A petição lembra que a janela de transferências internacionais se encerram em 31 de janeiro de 2020 o que, coincidindo com o recesso forense, pode atrasar seu desligamento, uma vez que o Cruzeiro já deixou claro que não pretende contar com seu serviço, mesmo tendo contrato até dezembro de 2020.

De toda forma, Thiago Neves informou que foi comunicado que deverá se reapresentar no dia 6 de janeiro para a pré-temporada após as férias. O jogador, no entanto, alega insegurança para voltar a Belo Horizonte, por causa de constantes ameaçam que vem recebendo por parte de torcedores.

“Os diversos pronunciamentos da diretoria do clube contribuíram sobremaneira para que ele fosse guindado à espécie de vilão e exclusivo culpado pelo rebaixamento do time à Série B do campeonato nacional. As ameaças chegam às raias de intimidar sua permanência no clube a até mesmo na cidade de Belo Horizonte, culminando com promessas de agressões e morte não só a ele como também aos seus familiares, esposa e duas crianças com menos de 10 anos de idade”, diz a pedição encaminhada à Justiça.

Para pedir a rescisão, a defesa do jogador se baseia no artigo 483 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), citando, entre outras coisas, o fato de ser tratado pelo empregador com rigor excessivo, correr perigo manifesto de mal considerável, não cumprir com as obrigações de contrato e praticar contra ele ato lesivo da honra e da boa forma.

Premiações especiais

Além dos salários mensais, Thiago Neves tinha direito a prêmios especiais por desempenho. O primeiro contrato estabeleceu que, caso o jogador atuasse em 45 partida por ano por, no mínimo 45 minutos, ele teria direito a uma bonificação de R$ 2,4 milhões por temporada a serem pagos em duas parcelas no ano seguinte.

O segundo aditivo contratual, assinado em 3 de janeiro de 2019, alterou a cláusula terceira da premiação especial, passando a constar que o jogador teria direito a um prêmio de R$ 720 mil se participasse de 42 partidas por temporada, o que acabou não acontecendo este ano. Para isso, bastava ter o nome na súmula, independentemente da sua participação efetiva no jogo.

Se o Cruzeiro fosse campeão da Libertadores e Thiago Neves atuasse em 70% dos jogos, ele ganharia um bônus de R$ 700 mil. O atleta também tinha direito a 20 camisas oficiais de jogos do Cruzeiro independentemente do número de partidas.

Em 2017, Thiago Neves esteve em 57 partidas e, em 2018, em 53, portanto, cumprindo a meta dos primeiros contratos. Em 2019 ele fez 41 jogos, ou seja, não teve participação em bonificações. Nos dois primeiros anos, Thiago Neves contribuiu com o bicampeonato da Copa do Brasil.

O primeiro contrato já tinha estabelecido que o jogador teria direito a luvas de R$ 750 mil em caso de renovação contratual, o que acabou acontecendo. O processo de Thiago Neves não contesta o não pagamento desses valores o que se entende que eles foram quitados conforme estabelecido entre as partes.

Caso Thiago Neves fizesse 42 partidas em 2020, seu contrato seria automaticamente estendido até 31 de dezembro de 2021 (essa informação foi atualizada às 19h30; anteriormente o Super FC havia informado que essa cláusula não constava dos contratos do jogador).

Obrigações

Além das obrigações que constam na lei e relativas ao contrato especial de trabalho desportivo, Thiago Neves tinha outras deveres previstos em contrato. São elas:

– “esforçar-se para “conseguir o máximo de sua eficiência técnica”;

– “não participar de qualquer competição ou jogo fora do âmbito do contrato de trabalho”;

– “manter a devida confidencialidade em relação aos assuntos de ordem interna”;

– “solicitar orientação prévia ao Cruzeiro para que possa se manifestar publicamente sobre assuntos do clube”;

– “solicitar autorização prévia do Cruzeiro para que possa participar de eventos promocionais”;

– “manter em campo conduta correta e disciplinada, obedecendo aos dirigentes, técnicos, auxiliares, suas deliberações, acatando decisões dos árbitros”;

– “sempre agir com o devido respeito em relação ao público em geral, aos demais atletas, tanto do Cruzeiro como de equipes adversárias”;

– “obedecer e cumprir fielmente as disposições da legislação desportiva e as obrigações decorrentes”;

– “não se retirar da cidade durante a jornada de trabalho sem autorização”.

O jogador entrou em várias polêmicas, apontado como o pivô da demissão do técnico Rogério Ceni. Em declaração polêmica após a derrota para o Internacional, na Copa do Brasil, o jogador disse que “você querer mudar dois, três jogadores fora de casa é muita coisa, ainda mais de um time que vem formado”. Rogério Ceni disse que TN10 falou aquilo porque viu o amigo Edilson no banco. Depois disso, os bastidores celestes esquentaram ainda mais e o treinador acabou demitido.

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