Gilberto afirma que quer ficar no Flu, mas avisa: ‘Não depende só de mim’

No Fluminense desde 2018, Gilberto tem o futuro incerto no Fluminense. O lateral-direito está emprestado até o fim deste mês pela Fiorentina, da Itália, e ainda não sabe se fica no Tricolor, se retorna ao clube que tem contrato até meados de 2021 ou se vai defender um outro clube. Em entrevista exclusiva ao LANCE!, o jogador deixa claro a sua prioridade.

– Eu sou carioca e tenho grande admiração pelo clube. Então minha prioridade será sempre o Fluminense, mas não depende só de mim. Vamos conversar para ver o que pode acontecer.

Com sondagem do Grêmio, a tendência é de que Gilberto permaneça no Brasil, já que uma volta a Fiorentina é vista como improvável. Desde que foi contratado, o clube italiano o emprestou cinco vezes: Hellas Verona e Latina, ambos da Itália, Vasco e Fluminense, por duas vezes.

– Se eu tiver a oportunidade de jogar lá (Fiorentina), ficarei feliz, mas aqui no Brasil é onde eu me sinto mais a vontade por conta do meu estilo de jogo. Então, se eu continuar aqui, vou ficar feliz. O que decidir sobre o meu futuro, ficarei tranquilo, pois sei que terminei a temporada bem e vai vir coisa boa.

A tendência é que uma definição sobre o seu futuro possa acontecer até o fim da semana que vem. O clube mantém conversas diárias com o empresário de Gilberto, Alan Espinosa, que também vem sendo contactado por outros clubes.

SOBE E DESCE

A temporada de 2019 foi marcada por altos e baixos para Gilberto. Diferentemente do ano anterior, quando foi um dos destaques do Fluminense, o lateral-direito não conseguiu manter a regularidade e sofreu um pouco com as críticas da torcida. O jogador recebeu as vaias com naturalidade, afirmando que foi cobrado por não estar rendendo o que deveria.

– A temporada passada foi muito boa e esse ano me criticaram bastante, mas eu procuro ter muita calma e paciência com o torcedor porque já fui torcedor e sei o que eles passam. Tive a prova nessa reta final onde eles me apoiaram bastante, me colocaram lá em cima de novo. Eles me cobraram porque sabem o que eu posso dar e eu, junto com a equipe, não estava conseguindo render o esperado.

Apesar dos momentos difíceis, Gilberto retomou o bom futebol na reta final do Campeonato Brasileiro e conseguiu conquistar os objetivos do Fluminense no fim da competição, livrando a equipe do rebaixamento e, de quebra, ficando com uma vaga na Copa Sul-Americana. O lateral revelou a preocupação em estar em campo na última rodada, justamente para ajudar o time a estar no torneio internacional.

– Eu estava pendurado contra o Fortaleza e nem passava pela minha cabeça ficar de fora desse último jogo. Meu foco era dar essa vaga na Copa Sul-Americana, que era um desejo do torcedor, que se mobiliza bastante para conquistar esse título, que é um sonho para eles e por eu estar dois anos aqui, se tornou o meu também. Vou torcer bastante para que no ano que vem, se eu estiver aqui, conseguir conquistar, mas se eu não permanecer, vou ficar na torcida para isso acontecer.

BATE-BOLA COM GILBERTO

Daniel e Yony já se despediram do Fluminense, que tentou renovar os contratos, sem sucesso. Um dos motivos para isso, foi a falta de garantia no pagamento dos salários em dia. Como você analisa essa situação?
– Acho que esse é o primeiro passo para todo profissional, recebendo aquilo que trabalhou, então não tiro a razão deles. Todo mundo tem o direito de cobrar. É a maneira certa de fazer as coisas, acertando aquilo que se deve, para depois começar um novo contrato.

A saída do Fernando Diniz comoveu o elenco do Fluminense de uma forma que pouco se viu no futebol. Por quê ele consegue se aproximar tanto dos jogadores?
– Ele é um profissional que, diferente do mundo do futebol, não só olha o atleta, mas também o ser humano. Assim que ele chegou, disse para todos nós que, quando ele saísse do Fluminense, cada um vai ter evoluído como pessoa e como jogador e que poderíamos cobrar isso dele depois. Com certeza isso aconteceu, e eu evoluí muito.

E no campo e bola, o que mais agrada?
– Dentro de campo, ele pensa como o jogador, que gosta de ter a bola, não só marcar. Independentemente do momento, a gente jogou, seja com quem foi, mesmo sendo inferior no papel. Ele procura fazer isso, monta um jeito para que o time possa jogar e é isso que o jogador gosta. Infelizmente os resultados não vieram e ele não teve sequência, mas torço por ele no São Paulo.

O Oswaldo de Oliveira o substituiu mas não conseguiu ter sucesso. Na sua opinião, por quê ele não deu certo?
– Ele ficou pouco tempo e é até difícil de julgar. Não teve tempo para implementar a metodologia dele. Foi um cara que me subiu da base (no Botafogo) e tenho muito carinho por ele. Fiquei muito triste pela forma que ele saiu. Um treinador assumindo no meio do ano, fica complicado. É necessário fazer uma pré-temporada para fazer o seu estilo de jogo e a sua maneira de pensar.

Apesar de toda a dificuldade, o Marcão assumiu o time e fez a equipe melhorar o aproveitamento. Quais foram os principais méritos dele?
– O Marcão é um cara que merece. Tem que ter paciência, está começando agora assim como o atleta começou um dia. Ele foi muito inteligente pois soube ganhar o grupo. Tem a linguagem do futebol e procurou fazer aquele que aprendeu na pré-temporada com o Diniz. Mantendo a filosofia, mas mudando algumas coisas, que deram muito certo e conseguimos bons resultados.

O Marcão voltou a ser auxiliar técnico no clube. Na sua opinião ele estava pronto para seguir na carreira de técnico?
– É até difícil eu falar sobre isso. Acho que o Marcão é um cara preparado. Pegou o time em um momento difícil, com muitos problemas de salários atrasados e dessa forma é difícil gerir um grupo, mas ele conseguiu. É um cara que tem o espírito de guerreiro do Fluminense e merece o carinho da torcida. Tem tudo para ser um grande treinador.

Falando um pouco do passado, como foi a sua passagem pela Fiorentina?
– Joguei poucos jogos na Fiorentina. Quando eu cheguei lá, o treinador disse que eu precisava de um tempo de adaptação, mas assim que eu fiz os primeiros treinos, ele gostou muito e me colocou como titular. Joguei alguns jogos, mas me machuquei, infelizmente e acabei perdendo espaço. É um clube que eu gostei bastante, a torcida gostou muito de mim e eu também. Gostei da cidade, a Itália é um país muito bom, passei férias lá inclusive.

No ano passado, você teria recebido a informação de que estava sendo monitorado pela Seleção Brasileira. Isso é verdade? Sonha com a amarelinha?
– Em mim diretamente não houve contato por parte da comissão técnica ou de dirigentes da CBF. Chegaram ao meu empresário, que conversou comigo e disse que tinha um monitoramento. Mas eu sou um cara de acreditar nas coisas quando elas chegam de verdade. Minha cabeça continua a mesma, não vi o Tite falando meu nome, então sigo tranquilo.

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