De volta, Neymar encara mudança de tratamento e PSG menos dependente antes de pegar o Real Madrid

Após 40 dias afastado por causa de uma lesão muscular na coxa, Neymar voltou aos gramados nesta sexta-feira e teve atuação discreta na vitória do Paris Saint-Germain sobre o Lille, por 2 a 0, pelo Campeonato Francês. Depois de desfalcar a equipe por seis jogos seguidos, o atacante recebeu novas vaias da torcida e viu em seu retorno um time mais organizado e menos dependente dele dentro de campo. Fora do gramado, ouviu recados do técnico Thomas Tuchel que indicam uma mudança de tratamento ao camisa dez, fazendo com que o status que ele tinha antes de praticamente “intocável” no PSG fique abalado às vésperas do confronto com o Real Madrid, na próxima terça-feira, pela Champions League.

A menor proteção a Neymar em Paris começou a ser observada desde a chegada de Leonardo como diretor esportivo no início desta temporada, colocando em prática uma postura de cortar privilégios às estrelas do elenco. Esse novo modo de relacionamento ficou ainda mais evidente com a forma como Tuchel tratou Neymar nas respostas sobre ele nas entrevistas coletivas antes e depois da partida contra o Lille.

Até então, o treinador alemão fazia o possível para proteger e dar moral ao craque brasileiro. Agora, mesmo que de maneira sutil, ele passou o seu recado. Nesta sexta, Tuchel foi questionado se Neymar poderia começar na reserva o duelo com o Real em Madri na terça, algo inimaginável até pouco tempo atrás, e deixou esta possibilidade aberta.

“Sim, todas as coisas são possíveis, por que não?”

Enquanto Neymar esteve ausente dos gramados, no departamento médico, Mbappé, Icardi e Di María formaram o trio ofensivo e tiveram boas atuações. Agora, o treinador terá que decidir entre escalar uma equipe bastante ofensiva com os quatro homens de frente ou optar por três deles, deixando um no banco.

“Em Madri? Vai ser muito corajoso (jogar com os quatro jogadores ofensivos), mas pode ser o momento. Temos que decidir, tenho que dormir algumas noites e depois tomar uma decisão. Jogar com os quatro jogadores em Madri é uma pequena diferença entre confiar e ter muita confiança. Eu tiro quem? Temos que esperar e tomaremos as decisões, mas é realmente difícil se decidirmos jogar com apenas três dos quatro”, disse o treinador.

Assim como tem acontecido desde quando voltou a atuar pelo PSG em setembro, após demonstrar seu desejo de ir para o Barcelona, Neymar foi vaiado pelos torcedores mais uma vez nesta sexta-feira no Parque dos Príncipes. Antes do jogo, no anúncio do nome dele na escalação, as manifestações contrárias foram tímidas nas arquibancadas, mas as vaias aumentaram consideravelmente por parte da torcida quando ele foi substituído por Mbappé aos 20 minutos do segundo tempo. Na saída, ao invés de sentar no banco de reservas, preferiu ir diretamente ao vestiário.

“Muitos jogadores vão diretamente ao vestiário, alguns ficam no banco. Eu não vi, porque estava concentrado em uma mudança tática. Por isso não vi. Nós devemos falar sobre essas coisas internamente”, afirmou Tuchel, que antes já havia dito que Neymar não jogaria os 90 minutos em seu retorno.

Antes de enfrentar o Lille, o treinador do PSG deixou claro que não gostou da rápida viagem de Neymar a Madri, na última terça-feira, para assistir à disputa da Copa Davis de tênis.

“O que eu posso fazer? Eu não sou pai dele, não sou a polícia, sou o treinador. Como treinador, eu gostei dessa viagem? Não, de jeito nenhum, está claro. É o momento de perder a cabeça? Não, este não é o momento. Ele tem sido muito profissional nas últimas duas semanas. Ele fez mais que outros. Ele fez um trabalho coletivo, individual”, explicou.

Na vitória contra o Lille, Neymar não participou diretamente de nenhum dos dois gols, marcados pelos argentinos Icardi e Cavani, com assistências de Gueye e Draxler, respectivamente. Ainda sem ritmo de jogo, o camisa dez atuou pelo lado esquerdo do ataque, foi acionado menos do que o normal e pouco apareceu, tendo errado a maioria dos lances que tentou. A exceção foi uma ótima enfiada de bola na área para Draxler, que desperdiçou boa chance de gol. No total, ele recebeu 50 passes na partida, mas perdeu a bola 17 vezes. O atacante brasileiro recebeu nota 4 na avaliação do jornal francês “L’Équipe”, a mais baixa do time, e ficou com a nota 3,5 segundo o “Le Parisien”, melhor apenas que o lateral Meunier, que teve 3.

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