Ídolo do Bayern diz que Flamengo não ganharia a Bundesliga e explica motivo

Muita polêmica foi levantada há alguns meses quando o técnico Jorge Jesus afirmou que sua equipe do Flamengo conseguiria disputar título em Portugal e brigaria entre os grandes clubes da Premier League. A pauta foi discutida no Brasil por diversos analistas e nenhum consenso foi encontrado. O ídolo do Bayern Paulo Sérgio afirmou que, na Alemanha, ele não veria o Rubro-Negro jogando de igual para igual com o time bávaro.

“Lutar por um título, eu acho que ainda não. É tudo uma questão de costume, clima. O futebol, em si, do Flamengo é um futebol bonito, aberto, para cima. Será que esse futebol para cima no futebol alemão faria com que esse time conquistasse o título? Creio que é muito cedo para falarmos isso”, disse o ex-jogador.

“Mas o Flamengo que está trazendo um futebol atraente, competitivo, com muita personalidade. Algo que está sendo a diferença no futebol brasileiro. E isso é mostrado pelo torcedor que está comparecendo. É a maior resposta. O torcedor tem comparecido porque tem visto coisa boa”, completou.

Jorge Jesus chegou ao Flamengo durante a parada para a Copa América, com a missão de assumir o time no lugar de Abel Braga. Em 31 partidas no comando do clube, venceu 23, empatou seis e perdeu somente duas. A equipe estava na terceira posição da tabela do Campeonato Brasileiro. Atualmente, o time é líder com onze pontos de vantagem para o Palmeiras (tendo disputado uma partida a mais).

Além disso, a equipe conseguiu chegar na final da Conmebol Libertadores desta temporada sob o comando do português. O time enfrenta o River Plate no próximo dia 23, em Lima, no Peru.

Eu creio que sim. Até porque o trabalho que ele fez no Athletico-PR foi um trabalho muito bom. Tive oportunidade de ver o jogo contra o Boca Juniors. Um jogo muito aberto, que dava gosto de ver. Um futebol completamente diferente que tínhamos visto até então no Brasil. Se ele conseguir implementar o trabalho que fez no Athletico, pode colocar dentro do Corinthians. Mas, a pressão é outra. Infelizmente o que eu fico mais triste são os dirigentes do Athletico ter dispensado o profissional. Eu falo muito do respeito, do profissionalismo. Ele tinha um contrato até o final do ano, então estava aberto a qualquer clube depois da data. Dispensar o treinador da forma que foi no meio da competição, eu não gostei. Quando a gente traz para o Brasil uma experiência de futebol alemão e começamos a observar o que acontece aqui, ficamos muito tristes.

O Bayern é impressionante. Eu joguei lá por muitos anos e passa um momento sem vitórias, é crise. Mas, não se pode falar em crise. Nos últimos oito anos conquistou títulos, o coração de todo mundo. É um momento de transição, um momento que muitos atletas como Ribéry, Robben, Lahm, Schweinsteiger, estão parando. Então esse período de transição, de trazer jogadores mais novos, tem que ter paciência. Mas, em time grande, não há essa paciência. É obrigado a trocar. Conheço bem o Niko, ele ficou chateado. Hoje, para ser sincero, não consigo achar um treinador que vá mudar a estrutura do Bayern de Munique. Um treinador experiente, não sei se seria o ideal. Um treinador mais novo será que vai aguentar a pressão? Então, eu creio que esse momento está sendo muito difícil para o Uli Hoeness, para o Rummenigge e para o Brazzo (Salihamidzic)

O que você acha que está faltando para o Coutinho engrenar com a camisa do Bayern?

Você jogar no futebol alemão, tem que ter um período de adaptação. Não adianta achar que vai mudar da noite para o dia. Tem a questão da adaptação dentro e fora do gramado, com o clima. O Philippe Coutinho já teve essa experiência na Inglaterra. O futebol alemão é completamente diferente. Ele é um jogador importante para o Bayern. Ele é diferenciado. Estive com ele há algumas semanas, conversando. Ele está aprendendo a língua. Por mais que tenha o contrato de um ano, ele está se esforçando para permanecer na equipe. Muito legal da parte dele. O torcedor tem que ter um pouquinho mais de paciência. Uma das coisas que mais comentamos foi sobre essa adaptação. Sobre aprender a língua, a cultura, para ele se adaptar o mais rápido possível.

Você chegou a dar alguma dica para o Coutinho nessa conversa?

Nós conversamos um pouco e, falar como ele tem que jogar não cabe a mim, mas uma das coisas que nós mais comentamos foi essa questão da adaptação, de aprender a língua, de aprender um pouco a cultura. Para que ele possa se adaptar o mais rápido possível. Então, foram essas dicas, mais por esse lado que eu comentei com ele. Até mesmo fica mais fácil para que ele possa entender. Até porque, futebol, ele tem.

Você acha que o título da Bundesliga esse ano segue em Munique ou alguma outra equipe pode quebrar essa hegemonia?

Quando eu mencionei de títulos importantes durante esses oito anos, se torna difícil. Há um período de reformulação. Há um período onde jogadores mais velhos saíram, chegam jogadores mais novos. No caso do Coman, do Gnabry. Esses jogadores precisam se adaptar ao esquema de jogo. Estavam tentando se adaptar ao estilo de jogo do Niko, agora vem outro treinador. E tudo fica muito difícil. Mas eu creio que o Bayern ainda é uma das grandes forças. Logicamente, você tem um campeonato com Borussia Dortmund, um Leipzig que vem muito bem na temporada, um Bayer Leverkusen que vem com seus altos e baixos, um Hoffenheim é uma equipe que sempre começa a tirar pontos dessas equipes grandes. É um ano onde está sendo muito equilibrado, e isso é muito bom para a Bundesliga.

É possível um sul-americano derrotar o Liverpool na final do Mundial? Você acha que a diferença a diferença do futebol daqui para o da Europa diminuiu?

Eu vejo que as equipes da Europa têm seus problemas, nos momentos de transição. Muitas dessas equipes grandes trocaram jogadores, treinadores. Então, é um momento que eu vejo que ainda dá para, esse ano, nós termos uma surpresa de uma equipe da América do Sul vencer um europeu sim.

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